Coluna | Entenda a sutileza de uma pessoa passivo – agressiva

Imagine aquela pessoa que nunca diz “não” diretamente, mas sempre encontra um jeito de as coisas não acontecerem no prazo ou da forma esperada. Ou aquela que faz um “elogio” que, no fundo, tem uma ponta de crítica. Esses são alguns sinais do comportamento passivo-agressivo.
De acordo com a psicóloga Signe Whitson (2014), em seu livro “The Angry Smile: The Psychology of Passive-Aggressive Behavior in Families, Schools, and Workplaces”, a passividade agressiva é uma forma de expressar raiva ou hostilidade de maneira indireta. Em vez de confrontar abertamente, a pessoa usa táticas sutis para demonstrar seu descontentamento.
Sinais Comuns de Comportamento Passivo-Agressivo:
• Procrastinação e Esquecimento Seletivo: Tarefas importantes são constantemente adiadas ou simplesmente “esquecidas”. Isso pode ser uma forma de evitar fazer algo que não querem, sem precisar dizer não diretamente (Whitson, 2014).
• Resistência Velada: A pessoa pode concordar verbalmente com algo, mas, na prática, resistir de várias maneiras, como fazer um trabalho de má qualidade ou não cooperar plenamente (Tedeschi & Felson, 1994, citado em Whitson, 2014
• Comentários Sarcásticos ou Ambíguos: A comunicação é muitas vezes indireta, com piadas ou comentários que parecem inofensivos, mas carregam uma mensagem negativa ou crítica subjacente (Whitson, 2014).
• Fazer-se de Vítima: A pessoa pode se colocar no papel de vítima para manipular os outros ou evitar responsabilidade por suas ações (Whitson, 2014).
• Culpar os Outros: Em vez de assumir seus erros, a pessoa passivo-agressiva tende a culpar as circunstâncias ou outras pessoas (Whitson, 2014).
• “Tratamento de Silêncio” (Silent Treatment): Ignorar ou se recusar a falar com alguém pode ser uma forma poderosa de expressar raiva e punir o outro (Williams, 2001, citado em Whitson, 2014).
• Elogios Indiretos ou Ambíguos: Frases como “Que vestido interessante…” com um tom duvidoso podem ser um jeito de disfarçar uma crítica sob a forma de um elogio (Whitson, 2014).
É importante lembrar que apresentar um ou outro desses comportamentos isoladamente não significa que a pessoa seja passivo-agressiva. O padrão se estabelece quando esses comportamentos são frequentes e consistentes ao longo do tempo, causando problemas nos relacionamentos e na comunicação.
Segundo Long e Long (2010), em “Anger-Free Kids: An Activity Guide for Helping Children and Teens Manage Their Anger”, entender a motivação por trás do comportamento passivo-agressivo é crucial. Muitas vezes, essas pessoas têm dificuldade em expressar suas necessidades e sentimentos de forma direta por medo de conflito, rejeição ou punição. A passividade agressiva se torna, então, uma forma disfuncional de tentar ter suas necessidades atendidas ou de expressar sua raiva sem enfrentar as consequências diretas.
Identificar o comportamento é o primeiro passo. Depois, a comunicação clara e assertiva é fundamental. Em vez de acusar, tente descrever o comportamento que você observou e o impacto que ele tem em você. Por exemplo, em vez de dizer “Você está sendo passivo-agressivo!”, você poderia dizer “Percebi que o relatório não ficou pronto no prazo, mesmo tendo concordado em entregá-lo hoje. Podemos conversar sobre o que aconteceu?”.
Estabelecer limites claros também é importante. Deixe claro quais comportamentos são inaceitáveis e quais são as consequências. No entanto, lembre-se que mudar padrões de comportamento enraizados pode ser um processo longo e, em alguns casos, pode ser útil buscar ajuda profissional, tanto para quem manifesta o comportamento quanto para quem lida com ele.
Em resumo, identificar uma pessoa passivo-agressiva envolve observar um padrão de comportamento indireto que expressam raiva ou resistência. Compreender as motivações por trás desses comportamentos e praticar a comunicação assertiva são passos importantes para lidar com essa dinâmica de forma mais eficaz.

 

Texto: Luam Ferrari

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