Grande São Paulo enfrenta apagão: Famílias improvisam para sobreviver sem energia

Após um forte temporal, mais de 430 mil imóveis continuam sem energia, o que tem causado grandes transtornos, especialmente para pessoas que dependem de equipamentos médicos para sobreviver. Entre as vítimas está Heloísa, de 18 anos, moradora de São Bernardo do Campo. Ela sofre de amiotrofia muscular espinhal e precisa de aparelhos como respiradores e bombas de infusão para sobreviver. Com a falta de energia, a família precisou recorrer a medidas extremas. “Conectamos o respirador à bateria do carro, puxando cabos improvisados. É desesperador”, contou Mario Neto, pai da jovem.

Além do risco à saúde, a família enfrenta perdas financeiras significativas, como medicamentos de alto custo que precisam ser armazenados de forma adequada. “Perdemos três frascos de remédios que custam R$ 165 mil. E isso sem falar na alimentação que já foi toda desperdiçada”, desabafou Mario. Ele também criticou o cadastro de clientes prioritários da concessionária de energia, que, segundo ele, não funcionou como esperado.

O impacto do apagão vai além das residências. Em hospitais, como o Saboya, na região do Jabaquara, a situação também é crítica. Juliana Mesanelli relatou que seu pai, que sofreu um AVC isquêmico, não conseguiu realizar exames devido à falta de energia. Embora o hospital tenha geradores, eles não são suficientes para manter todos os equipamentos em funcionamento simultaneamente, o que prejudica o atendimento.

Quem também sofre com a crise energética é Roseli Vieira, cuidadora de dois idosos. Ela precisou descartar medicamentos e insulina por falta de refrigeração. “Já estamos há quatro dias sem luz. Sem geladeira, os remédios e minha insulina foram para o lixo. É uma situação muito triste e perigosa para todos nós”, disse Roseli, visivelmente abalada.

A Enel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia na região, afirmou que as equipes estão trabalhando para normalizar o serviço o mais rápido possível. Segundo a empresa, até o momento, cerca de 1,6 milhão de clientes já tiveram a energia restabelecida. No entanto, muitas regiões, como Jabaquara, Campo Limpo e São Bernardo do Campo, seguem sem luz.

A situação de São Paulo expõe o quanto a falta de energia vai além de um simples transtorno: para muitos, é uma questão de sobrevivência. A cada hora sem eletricidade, cresce o desespero de quem precisa da energia para viver.

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