SUS substituirá teste papanicolau por exame molecular que permite melhor diagnóstico

O Sistema Único de Saúde (SUS) irá substituir o teste citopatológico para detecção do HPV, conhecido como Papanicolau, por um exame molecular de DNA HPV. A professora Luísa Lina Villa, da Faculdade de Medicina (FM) da USP, chefe do Laboratório de Inovação em Câncer e colaboradora do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), explica a mudança: “Se o tumor é causado pelo HPV e eu tenho tecnologia para detectar o vírus, a substituição será feita, a mudança proposta pelo nosso governo e por muitos países do mundo inteiro, que é checar a presença do vírus e não só das alterações morfológicas, que é o que o Papanicolau faz.”

O HPV

Ambos exames servem para avaliar a saúde do colo do útero, investigar infecções vaginais, identificar infecções sexualmente transmissíveis e possíveis tumores, além de verificar se existem lesões que sugerem o aparecimento de câncer de colo do útero. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o HPV é responsável por 99% dos casos deste tipo de câncer. Porém, há algumas diferenças. Enquanto o Papanicolau exige a volta ao médico em três anos, o novo teste DNA HPV, por ser mais sensível, poderá estender o período de retorno em até cinco anos, aliviando o sistema de saúde, melhorando o diagnóstico da presença de lesões no colo do útero e propiciando um tratamento adequado.

A médica explica que o HPV é um vírus muito comum. “Começamos a ter contato com ele já no início da nossa atividade sexual. Portanto, para a maioria das pessoas relativamente jovens esse vírus está ali, mas nessa faixa etária mais jovem ele não causa doença, porque para isso é preciso um tempo mais longo para o seu desenvolvimento. Então as pessoas mais jovens podem ter o vírus, mas não terão a lesão precursora. Existe o risco, mas ainda não se desenvolveu o câncer. Por outro lado, essas doenças vão surgir ou vão ser detectadas com mais intensidade e maior probabilidade após os 30 anos de idade, porque depois de passar algum tempo com o vírus de alto risco, começam a surgir as doenças, os tumores precursores e o próprio câncer do colo do útero, que vai surgir na maioria das vezes após os 40 anos de idade.”

Prevenção

A professora também conta que para fazer a prevenção, para rastrear adequadamente a população – o que deverá ser feito com base nas normas que o Inca e o Ministério da Saúde trouxeram – a introdução da metodologia mais sensível do teste molecular de HPV deve alcançar prioritariamente quem está na faixa dos 30 anos de idade, porque é quando combinação do teste com outras metodologias, como a citologia e a colposcopia, vai encontrar o vírus de risco e encontrar simultaneamente a doença. Dessa forma, será possível obter o melhor custo-benefício, a melhor aplicação de um teste preciso e informar adequadamente a população feminina do risco de ter ou não uma lesão no colo do útero e como tratá-la adequadamente. Para as mais jovens, Luísa afirma que devem continuar se cuidando e realizando testes preventivos, mas que o novo teste deverá ter essa preferência por idade, pois quando ainda são jovens há a possibilidade de detectar outros vírus, mas não detectar efetivamente a doença ou lesões.

Luisa Lina ressalta que o câncer do colo do útero é um tumor prevenível. “Eu acho que é muito importante a população reconhecer que nós podemos prevenir o câncer do colo do útero de duas maneiras: para os jovens, meninos e meninas de 9 a 14 anos de idade, existe uma vacina que impede o aparecimento do câncer, então é uma prevenção que nós chamamos de primária, porque seria eliminar o mal pela raiz. Eliminamos o vírus e não teremos a doença. Porém, nós temos que combinar isso com o rastreio, com o teste de papanicolau, como sempre se fez há décadas no País, mas também, agora, principalmente com o teste molecular.”

Por Jornal da USP

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